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Educação · Dia do Professor

Dia do Professor: quem ensina o Brasil, quanto ganha e o que enfrenta

São 2,4 milhões de professores na educação básica, para 46 milhões de alunos. A pesquisa mostra que um bom professor muda a vida de uma turma inteira, inclusive no salário que ela vai ter aos 28 anos. Os números da profissão, a relação de alunos por professor em cada estado e cinco afirmações sobre salário, falta de professores, formação, violência e saúde, cada uma confrontada com o que a sustenta e com o que a contesta.

Redação Zuben · 15 de outubro de 2026 · Leitura de 10 minutos

Professora de cabelo castanho, sentada ao lado de um menino na carteira, explica algo com a mão erguida enquanto ele a olha com atenção, com o caderno de cores aberto sobre a mesa
A atenção de um professor a um aluno, um de cada vez, é o que nenhum número consegue medir por inteiro. Imagem ilustrativa. Foto: Ronald Felton/Unsplash, recortada.

Quase todo mundo lembra o nome de um professor. Aquele que explicou de um jeito diferente, que percebeu que algo não ia bem em casa, que insistiu quando ninguém mais insistia. Hoje, 15 de outubro, é o Dia do Professor, e a data é um bom momento para olhar a profissão também pelos números.

O Censo Escolar de 2025 contou 2.407.049 professores na educação básica, cerca de 40 mil a mais que no ano anterior, enquanto as matrículas caíram 2,3%, para 46 milhões de alunos12. O piso nacional do magistério em 2026 é de R$ 5.130,63 para 40 horas semanais3, e uma pesquisa internacional coloca o Brasil entre os países onde mais professores relatam estresse por agressões verbais de alunos9.

Como nas outras reportagens da série, o texto não parte de uma conclusão. Mostra quantos são e onde estão, o que a pesquisa diz sobre o peso de um professor e, em seguida, cinco afirmações comuns sobre a carreira, com o que as sustenta, o que as contesta e o que os dados permitem dizer.

2,4 milhõesde professores na educação básica em 2025, segundo o Censo Escolar
19,1alunos por professor na média do país, de 15,8 no Paraná a 24,1 em Goiás e Rondônia
R$ 5.130,63é o piso nacional de 2026 para 40 horas semanais na rede pública
47%dos professores relatam estresse por intimidação ou ofensa de alunos, contra 18% na média internacional

Fontes: Inep, Sinopse Estatística da Educação Básica 2025 (cálculo da redação); Ministério da Educação, via A Crítica; OCDE, pesquisa Talis 2024, via Gazeta do Povo.

O peso de um bom professor

A importância do professor costuma ser defendida com histórias. Há também números. O estudo mais citado sobre o tema, dos economistas Raj Chetty, John Friedman e Jonah Rockoff, acompanhou 2,5 milhões de crianças americanas do 3º ao 8º ano até a vida adulta11.

  • Renda1% a mais por anoUm ano com um professor entre os melhores, em vez de um mediano, elevou em cerca de 1% o salário dos alunos aos 28 anos11.
  • Turma inteiraUS$ 1,4 milhãoSomado ao longo da vida de todos os alunos de uma sala, o ganho de renda passou de US$ 1,4 milhão11.
  • Além do salárioFaculdade e famíliaOs alunos desses professores foram mais à faculdade, moraram em bairros melhores e tiveram menos gravidez na adolescência11.

O estudo mede o professor pelo avanço dos alunos em provas, e os próprios autores avisam que a nota não é a única forma de avaliar quem ensina11. Mesmo assim, o resultado ajuda a entender por que a carreira docente aparece no centro das discussões sobre educação: poucas coisas dentro da escola mudam tanto a trajetória de uma criança quanto quem está à frente da sala.

Quantos alunos para cada professor, estado por estado

O desafio não é igual no país inteiro. Dividindo as matrículas da educação básica pelo número de professores de cada estado, ambos da Sinopse Estatística oficial do Censo Escolar 2025, a diferença entre o primeiro e o último colocado passa de oito alunos por professor2.

Goiás, Rondônia e Pará lideram a lista; Paraná, Maranhão e Santa Catarina fecham. A relação ajuda a enxergar a carga de cada rede, mas não diz tudo: um estado pode ter muitos professores e, ainda assim, faltar profissional em disciplinas específicas ou em escolas longe dos centros.

Cinco afirmações postas à prova

Afirmação 1

“Professor ganha mal no Brasil.”

O que sustenta

Na comparação internacional, sim. Pelo relatório da OCDE de 2024, o salário inicial de um professor brasileiro fica 47% abaixo da média dos países da organização, já corrigido pelo poder de compra4.

Dentro do país, o professor da rede pública com curso superior ganhava em média R$ 4.942 por mês em 2023, 86% do que recebiam outros assalariados com a mesma escolaridade5. A meta do Plano Nacional de Educação era igualar os dois até 2020. E nem todos pagam o mínimo: em 2023, só 68,5% das cidades pagavam o piso6.

O que contesta

A distância diminuiu. Em 2013, o professor da rede pública ganhava 71% do que recebiam os demais profissionais com superior; dez anos depois, 86%5. O piso subiu para R$ 5.130,63 em 20263.

E a média esconde redes que pagam bem acima. O salário inicial médio nas redes estaduais chegou a R$ 6.212,36 em 2025, sem gratificações, e Mato Grosso do Sul paga R$ 13.007,12 a quem entra na carreira6.

O que os dados permitem dizerComparado ao mundo e a outros profissionais com diploma, o professor brasileiro ganha menos, e a meta de igualar os salários segue descumprida. Mas a frase precisa de endereço: depende muito de onde se dá aula. A diferença entre a rede que paga o piso e a que paga melhor passa de R$ 8 mil por mês para o mesmo cargo de entrada.

Afirmação 2

“Vão faltar professores no Brasil.”

O que sustenta

Um estudo do Instituto Semesp, com dados do MEC e do Inep, projetou um déficit de cerca de 235 mil professores na educação básica até 2040, se mantido o ritmo atual7.

Os motivos apontados são o menor interesse dos jovens pela carreira, a evasão nas licenciaturas, o envelhecimento dos professores e o abandono da profissão por salário e condições de trabalho7.

O que contesta

Por enquanto, o número de professores sobe enquanto o de alunos cai. De 2024 para 2025, o país ganhou cerca de 40 mil professores e perdeu 1 milhão de matrículas1.

O Semesp representa faculdades particulares, que têm interesse no tema. E uma pesquisadora da Fundação Carlos Chagas ouvida sobre o estudo afirma que não se espera falta de professores para a educação infantil e os anos iniciais; o risco está em licenciaturas específicas, como Física7.

O que os dados permitem dizerUm “apagão” geral não aparece nos números de hoje, mas a falta já existe em pontos específicos: disciplinas como Física, Química e Matemática nos anos finais e no ensino médio, e escolas distantes. A relação de alunos por professor de cada estado mostra onde a carga é maior; a projeção para 2040 depende de quem vai se formar e ficar na profissão.

Afirmação 3

“Ninguém mais quer ser professor.”

O que sustenta

Nos cursos presenciais de licenciatura, o número de calouros caiu 37,6% em dez anos, segundo o levantamento do Semesp7. O mesmo estudo aponta que o número de formados não acompanhou o de ingressantes, sinal de muita desistência pelo caminho7.

O que contesta

A procura não sumiu: mudou de lugar. Em 2024, 68,5% das matrículas em cursos de formação de professores estavam no ensino a distância, segundo o Censo da Educação Superior; as licenciaturas somam 16,9% de todas as matrículas de graduação do país8.

O que os dados permitem dizerAinda há quem queira ser professor, mas a entrada mudou de forma: a maioria estuda a distância, muitas vezes já trabalhando. O desafio é menos atrair matrículas e mais garantir que o curso forme bem e que o formado continue na sala de aula. É nessa passagem, entre a matrícula e os primeiros anos de carreira, que a profissão perde gente.

Afirmação 4

“A sala de aula ficou mais violenta para o professor.”

O que sustenta

Na pesquisa Talis 2024, da OCDE, 47% dos professores brasileiros disseram que ser intimidados ou ofendidos verbalmente por alunos é fonte de estresse, contra 18% na média dos países participantes. Mais da metade convive com barulho e desordem frequentes em sala, contra cerca de 20% lá fora9.

Pesquisas de entidades de professores apontam na mesma direção: em São Paulo, um levantamento do Centro do Professorado Paulista encontrou 65% de docentes que já sofreram algum tipo de agressão na escola9.

O que contesta

“Ficou mais” exige comparação no tempo, e ela é difícil. A Talis de 2013 já punha o Brasil no topo, mas media outra coisa: a frequência semanal de agressões. A de 2024 mede o estresse causado por elas, e os números não se comparam diretamente9.

As pesquisas de sindicatos e associações ajudam a dimensionar o problema, mas não têm amostra representativa do país9.

O que os dados permitem dizerNão há como afirmar com segurança que piorou, mas há como afirmar que é grave: o professor brasileiro relata ofensas e desordem em sala muito mais que os colegas de outros países, e isso já aparecia há mais de dez anos. Mais do que discutir a tendência, os números pedem atenção ao clima da escola, que afeta quem ensina e quem aprende.

Afirmação 5

“Dar aula está adoecendo os professores.”

O que sustenta

Na rede estadual de São Paulo, os professores acumularam 33.309 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, segundo levantamento publicado pela Gazeta de Rio Preto10. São, em média, mais de 90 por dia.

Os relatos de cansaço, ansiedade e esgotamento aparecem também nas pesquisas sobre violência em sala, que mostram turmas barulhentas e ofensas frequentes9.

O que contesta

Os números mais fortes vêm de uma única rede, a de São Paulo, e de entidades da categoria. Não há um levantamento oficial nacional que compare o adoecimento dos professores com o de outras profissões nos mesmos anos.

E os afastamentos por saúde mental cresceram no país como um todo: foram 472.328 em 2024 entre todos os trabalhadores, segundo a Previdência10.

O que os dados permitem dizerO sinal de alerta é claro, ainda que falte um dado nacional para medir o tamanho exato do problema. Jornada longa, turmas cheias, violência verbal e cobrança por resultados aparecem juntos nas pesquisas, e a voz, ferramenta de trabalho do professor, é uma das primeiras a sentir. Cuidar de quem ensina é também cuidar do aprendizado.

Como valorizar o professor, além de hoje

Salário e carreira dependem de políticas públicas e das escolas. Mas parte da valorização acontece no dia a dia, e cabe a famílias e alunos.

  1. Agradeça com nome e motivo. Um bilhete dizendo o que mudou para o seu filho vale mais que um presente genérico.
  2. Vá às reuniões. A presença da família mostra ao professor que ele não está sozinho na tarefa.
  3. Converse antes de reclamar. Diante de um problema, procure o professor primeiro, com calma, antes de levar o caso a grupos de mensagens.
  4. Respeite o horário dele. Mensagem à noite e no fim de semana só em urgência de verdade.
  5. Ensine o respeito em casa. A forma como os adultos falam do professor é a forma como a criança vai tratá-lo.
  6. Acompanhe a lição. O professor rende mais quando a casa ajuda a fixar o que foi ensinado.
  7. Cobre as condições, não só o resultado. Turma cheia, falta de material e salário atrasado são assuntos para a direção e para a rede de ensino.
  8. Lembre do seu. Se um professor marcou a sua vida, hoje é um bom dia para procurá-lo e dizer.

Onde os aplicativos Zuben podem ajudar

Entre correção de provas, reuniões e planejamento, a rotina de quem ensina é cheia de prazos. Três utilitários simples ajudam a organizar o dia.

  • LembretesZubenRemindAvisos para entrega de notas, reunião de pais, prazo de planejamento e devolução de trabalhos.
  • AgendaZubenCalendarO calendário escolar com feriados, provas e conselhos de classe à vista no mês.
  • AnotaçõesZubenNotesListas de tarefas, ideias de aula e recados para cada turma, com etiquetas e busca.

Os aplicativos funcionam sem cadastro e guardam os dados apenas no aparelho. Não substituem os sistemas oficiais da escola.

A pergunta que fica

Os números mostram uma profissão grande, desigual e sob pressão: 2,4 milhões de pessoas, salários de entrada que variam quase três vezes entre os estados, uma carga que vai de 16 a 24 alunos por professor e um índice de ofensas em sala muito acima do resto do mundo. Mostram também que o salário melhorou em relação a outras carreiras e que o número de professores cresce enquanto o de alunos cai.

A pergunta que fica para depois do dia 15 é se o país vai conseguir transformar o reconhecimento da data em condições para que os melhores professores fiquem na sala de aula. Porque, como mostra a pesquisa, o efeito de um bom professor não termina no fim do ano letivo: ele acompanha os alunos pela vida.

Aviso: a relação de alunos por professor foi calculada pela redação a partir das tabelas oficiais do Inep e não equivale ao tamanho das turmas. Os salários citados são de entrada nas redes estaduais e variam com plano de carreira, gratificações e rede de ensino. Parte dos dados sobre violência e saúde vem de pesquisas de entidades da categoria, sem amostra nacional. As ofertas identificadas como publicidade não influenciaram o conteúdo da reportagem, e os produtos anunciados não foram avaliados pela redação.

Bibliografia

Fontes consultadas pela redação. Páginas acessadas em 15 de outubro de 2026.

  1. JORNAL DE BRASÍLIA. Brasil registra queda de 1 milhão de alunos na educação básica, a maior em duas décadas (Censo Escolar 2025, via Folhapress). 26 fev. 2026. Disponível em: jornaldebrasilia.com.br.
  2. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (Inep). Sinopse Estatística da Educação Básica 2025, tabelas 1.1 e 2.1. Brasília: Inep, 2026. Disponível em: gov.br/inep.
  3. A CRÍTICA. Mato Grosso do Sul está entre os estados com maior salário inicial para professor (piso nacional de 2026). 2026. Disponível em: acritica.net.
  4. EXAME. Quanto ganha um professor no Brasil e nos países da OCDE (Education at a Glance 2024). Disponível em: exame.com.
  5. JORNAL DE BRASÍLIA. Um em cada 3 professores de escolas públicas não tem formação adequada (Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024, Todos Pela Educação). Nov. 2024. Disponível em: jornaldebrasilia.com.br.
  6. EDUCA MAIS BRASIL. Ranking aponta estados com maiores salários para professores (estudo do Movimento Profissão Docente). 10 abr. 2026. Disponível em: educamaisbrasil.com.br. Cumprimento do piso em 2023: PORTAL DE PREFEITURA. Um terço dos municípios do Brasil não paga o piso dos professores (Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025). 25 set. 2025. Disponível em: portaldeprefeitura.com.br.
  7. GAZETA SP. Brasil pode ter apagão de 235 mil professores, diz estudo (Instituto Semesp, Risco de apagão de professores no Brasil). Disponível em: gazetasp.com.br.
  8. JORNAL DO BRÁS. Defensores da EAD questionam rigor seletivo contra a modalidade no ensino superior (Censo da Educação Superior 2024, Inep). 2 jun. 2026. Disponível em: jornaldobras.com.br.
  9. GAZETA DO POVO. Violência contra professores: escolas vivem ambiente de tensão (pesquisa Talis 2024, OCDE). Disponível em: gazetadopovo.com.br. Levantamento do Centro do Professorado Paulista: O POVO, Violência na escola: quando o alvo são os professores, 10 ago. 2026, disponível em opovo.com.br.
  10. QUERO BOLSA. Afastamentos por saúde mental batem novo recorde no Brasil (dados do Ministério da Previdência Social e da Gazeta de Rio Preto). Disponível em: querobolsa.com.br.
  11. CHETTY, R.; FRIEDMAN, J. N.; ROCKOFF, J. E. Measuring the Impacts of Teachers II: Teacher Value-Added and Student Outcomes in Adulthood. American Economic Review, v. 104, n. 9, 2014. Resumo em: educationnext.org.
  12. Imagem: professora e aluno na sala de aula, de Ronald Felton, via Unsplash, sob a Licença Unsplash.
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