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A memória acabou: como a corrida da inteligência artificial encareceu o celular, o notebook e o videogame

Os data centers de IA passaram a comprar boa parte da memória que o mundo fabrica, e o preço do componente multiplicou em um ano. A conta já aparece na vitrine, na fábrica brasileira e até na linha de montagem dos carros. O que está acontecendo, quem ganha, quem paga e quando isso pode acabar, segundo fabricantes, consultorias, indústria e os analistas que desconfiam de tudo isso.

Redação Zuben · 3 de outubro de 2026 · Leitura de 15 minutos

Dois módulos de memória RAM encaixados nos slots de uma placa-mãe de computador, vistos de cima
Módulos de memória RAM encaixados em uma placa-mãe. O componente, que por anos foi um dos mais baratos de um computador, virou o mais disputado da indústria. Foto: Mixabest (domínio público, via Wikimedia Commons), recortada.

Durante muito tempo, a memória RAM foi a parte sem graça de um aparelho. Ninguém escolhia um celular por causa dela, e dobrar a memória de um computador custava menos do que um jantar. Em 2026, isso mudou. O componente passou a faltar, o preço que os fabricantes de aparelhos pagam por ele multiplicou, e o que era detalhe de ficha técnica virou a razão pela qual o celular de entrada está sumindo, o notebook ficou mais caro e o videogame, pela primeira vez, encarece com o tempo em vez de baratear.

A causa não é um incêndio em fábrica nem uma pandemia. É uma disputa por prioridade: a memória que iria para o seu próximo aparelho está sendo comprada, com contrato longo e pagamento melhor, por quem constrói data centers de inteligência artificial. O vice-presidente de dispositivos da consultoria IDC, Francisco Jeronimo, resumiu a situação em uma frase: os consumidores “estão começando a pagar a conta da IA”8.

Esta reportagem reúne o que foi publicado até aqui por quem mede o mercado, por quem fabrica, por quem monta e por quem compra. Como em todo assunto que envolve muito dinheiro, as versões não coincidem, e as divergências estão registradas.

+90%foi a alta prevista dos contratos de memória DRAM só no primeiro trimestre de 2026
−16,7%é a queda projetada das vendas mundiais de celulares em 2026, a maior já registrada
US$ 581será o preço médio de um celular no mundo em 2026, 27,6% acima do ano anterior
30%é o repasse estimado ao preço final de eletrônicos no Brasil

Fontes: TrendForce (fev. 2026); IDC, Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker (ago. 2026); Abinee (abr. 2026).

Por que falta memória

A memória RAM é onde o aparelho guarda o que está usando naquele momento: os aplicativos abertos, as abas do navegador, a foto que está sendo editada. O tipo de chip que faz esse trabalho se chama DRAM. Sua produção mundial está concentrada em três empresas: as sul-coreanas Samsung e SK Hynix e a americana Micron.

Os servidores que treinam e executam modelos de inteligência artificial usam uma versão especial desse chip, chamada HBM (memória de alta largura de banda), empilhada ao lado dos processadores gráficos. Ela rende margens muito maiores para quem fabrica e tem um custo escondido: cada gigabyte de HBM consome cerca de três vezes mais capacidade de fábrica do que um gigabyte de memória comum16. Cada lâmina de silício dedicada à IA é, portanto, memória que deixa de existir para celulares, computadores e carros.

Segundo a consultoria AlixPartners, a inteligência artificial já consome 32% de toda a DRAM produzida no mundo, a maior fatia isolada, e deve chegar a 48% em 202817.

Dois episódios do fim de 2025 mostram a virada. Em outubro, a OpenAI assinou cartas de intenção com Samsung e SK Hynix para o fornecimento de até 900 mil lâminas de DRAM por mês ao seu projeto de data centers15. Em 3 de dezembro, a Micron anunciou que deixaria de vender memória ao consumidor comum e encerraria a marca Crucial, depois de 29 anos, para concentrar a produção nos clientes de data center. A justificativa do diretor de negócios da empresa, Sumit Sadana, foi direta: o crescimento puxado pela IA “levou a um salto na demanda por memória e armazenamento”14.

Doze meses em uma linha do tempo

  1. A IA reserva a produçãoA OpenAI assina cartas de intenção com Samsung e SK Hynix para até 900 mil lâminas de DRAM por mês15.
  2. Os preços à vista disparamO chip de referência DDR4 sobe de US$ 12,18 para US$ 17,06 em quatro semanas no mercado à vista26.
  3. A Micron abandona o consumidorA empresa anuncia o fim da marca Crucial, com entregas só até fevereiro de 202614.
  4. O primeiro alertaA IDC fala no “fim de uma era de memória barata e abundante” e prevê queda de até 5,2% nas vendas de celulares9.
  5. A maior alta trimestral já registradaA TrendForce eleva de 55%–60% para 90%–95% a previsão de alta dos contratos de DRAM no trimestre. Para a memória de PCs, mais de 100%1 7.
  6. “A maior contração em mais de uma década”A Gartner projeta queda de 10,4% nas vendas de PCs e de 8,4% nas de celulares11.
  7. O videogame encarece no BrasilA Sony reajusta toda a linha PlayStation 5 em até R$ 60019.
  8. A indústria brasileira reageA Abinee diz que a situação é “mais grave do que a vivida no auge da Covid-19”12.
  9. “Até 2030”O presidente do conselho do grupo SK, Chey Tae-won, diz que a escassez deve durar até o fim da década e promete dobrar a capacidade em cinco anos23.
  10. A falta chega às memórias antigasFabricantes passam a trocar DDR4 por DDR3 e DDR3 por DDR2 para conseguir peças, e o preço do DDR2 sobe até 60% no trimestre6.
  11. A previsão piora outra vezA IDC passa a projetar queda de 16,7% nas vendas de celulares, a maior da história do setor8.
  12. A alta perde força, mas continuaA TrendForce prevê mais 10% a 15% no último trimestre. Os contratos mensais, que subiam 14% em julho, sobem 4% em setembro4 21.

A escalada em gráficos

Há dois preços de memória. O preço de contrato é o que os grandes fabricantes de aparelhos negociam com as fábricas de chips a cada mês ou trimestre. O preço à vista (chamado de “spot”) é o do mercado de pronta entrega, menor e mais nervoso. Os dois contam a mesma história.

A consultoria TrendForce, de Taiwan, publica no início de cada trimestre a previsão de reajuste dos contratos de DRAM convencional. As quatro de 2026 formam uma escada invertida: os degraus diminuem, mas todos sobem1 2 3 4.

Como cada reajuste incide sobre o anterior, o efeito acumulado é maior do que parece. Tomando o ponto médio de cada faixa, um contrato de memória termina 2026 custando cerca de quatro vezes o que custava no fim de 2025. A conta é da redação e vale como ordem de grandeza: os preços reais variam por cliente e por tipo de chip.

No mercado à vista, o movimento pode ser acompanhado quase semana a semana. O chip DDR4 de referência valia US$ 12,18 em novembro de 2025 e chegou a US$ 46,11 em 24 de setembro de 2026, quase o quádruplo26.

Nos contratos mensais, o mesmo chip passou de US$ 11,50 em janeiro para US$ 26 em setembro21. Para quem monta o próprio computador, a mudança chegou antes e mais forte: um par de módulos DDR5 de 32 GB, que custava cerca de US$ 80 nos Estados Unidos, era vendido a US$ 439 em junho de 202627.

A falta não ficou restrita aos chips novos. Em junho, fabricantes de eletrônicos já trocavam memória de uma geração pela anterior só para conseguir comprar.

Esse efeito em cascata foi descrito pela TrendForce. Com as três grandes fábricas ocupadas com HBM e memória de servidor, sobrou menos produção para os chips antigos, usados em televisores, roteadores e eletrodomésticos. Compradores passaram do DDR4 para o DDR3, e do DDR3 para o DDR2, uma tecnologia de 2003, cujo preço de contrato subiu de 55% a 60% no segundo trimestre6.

Onde a conta aparece

No celular, sobretudo no mais barato

Em um celular básico, a memória responde por cerca de 30% do custo de fabricação13. Quando esse item multiplica de preço, não há margem para absorver. A IDC publicou três previsões para as vendas mundiais de celulares em 2026, cada uma pior que a anterior8 9 10.

Na última revisão, de agosto, o mundo deve comprar pouco mais de 1 bilhão de aparelhos, com preço médio de US$ 581, alta de 27,6% em um ano. O mercado encolhe em unidades e cresce 6,3% em dinheiro, para US$ 613 bilhões. O golpe se concentra embaixo: os celulares de menos de US$ 100, que somaram 173 milhões de unidades em 2025, vivem o que a consultoria chama de “crise existencial”, com vendas quase 60% menores no segundo trimestre. Os aparelhos Android devem cair 24,3%, e os iPhones, 1,3%8.

No computador

A Gartner calcula que a memória passará de 16% para 23% do custo de fabricação de um PC, e que os preços dos computadores subirão 17% em 2026. Para o analista Ranjit Atwal, os fabricantes perdem a capacidade de oferecer máquinas de entrada, aquelas de menos de US$ 500, e esse segmento deve desaparecer até 2028. “O resultado é que você perde opções no mercado”, disse11.

A reação das marcas tem duas frentes. Uma é o preço: o presidente da Acer, Jason Chen, disse em setembro esperar aumentos de 5% a 20% nos PCs no último trimestre do ano24. A outra é a ficha técnica: segundo a TrendForce, fabricantes estão reduzindo a capacidade dos SSDs nos modelos mais vendidos para segurar o custo4. Quem compra precisa olhar duas vezes: o modelo novo pode custar o mesmo e entregar menos.

No videogame

Consoles sempre ficaram mais baratos com o tempo. Em 2 de abril de 2026, a Sony fez o contrário no Brasil e reajustou toda a linha PlayStation 519.

Uma ressalva é necessária: a Sony não citou a memória. A empresa atribuiu o reajuste a “pressões no cenário econômico global”. A ligação com a escassez de chips é feita por analistas e pela imprensa especializada, e não pela fabricante19.

No carro

Um automóvel atual carrega memória na central multimídia, no painel digital e nos sistemas de assistência ao motorista. A indústria automotiva consome cerca de 10% da DRAM do mundo e compra justamente os chips mais antigos, que as fábricas estão deixando de lado. O diretor financeiro da General Motors, Paul Jacobson, disse em julho que a montadora espera de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões a mais em custos de insumos neste ano. GM, Ford e sete fornecedores de autopeças fecharam contratos de longo prazo com a Micron para garantir entrega17. O prazo para um pedido novo de memória automotiva, segundo a distribuidora Fusion Worldwide, chegou a 58 semanas18.

No Brasil

A indústria brasileira monta seus aparelhos com chips de memória importados, pagos em dólar. A sondagem da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) registrou, em fevereiro, 47% das empresas do setor sob pressão de custos de componentes e matérias-primas, o terceiro aumento seguido e o maior nível em 20 meses12.

Segundo a entidade, os reajustes de memória podem chegar a 100% ao longo da cadeia, com repasse estimado de cerca de 30% ao preço final de notebooks, computadores de mesa, celulares e televisores. O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato, classificou a situação como “mais grave do que a vivida no auge da Covid-19”. O mesmo relatório lembra que a memória não sobe sozinha: cobre, alumínio, petróleo e resinas plásticas também encareceram no período12.

Um efeito colateral já aparece no varejo. Na plataforma Mercado Phone, que reúne mais de 3.500 lojas de celulares, a participação dos seminovos nas vendas passou de 60% em 2025 para 78% em 202620. O dado vem de uma única empresa, cujas lojas já são voltadas a esse público, e não mede o mercado brasileiro inteiro. Serve como sinal da direção, e não do tamanho, da mudança.

Seis pontos de vista sobre o mesmo problema

A escassez tem um significado diferente conforme o lugar de quem olha. As posições abaixo são as declaradas publicamente por cada parte.

Os fabricantes de memória

“A demanda é real e vai durar”

Para Samsung, SK Hynix e Micron, é o melhor momento da história. A Micron fechou o trimestre de junho a agosto com receita de US$ 54,2 bilhões e margem operacional de 80,7%22. O presidente da empresa, Sanjay Mehrotra, diz ver a demanda acima da oferta em 2027 e 2028, com o mercado “mais apertado do que neste ano”21. Chey Tae-won, do grupo SK, fala em escassez até 203023.

As empresas de IA e de nuvem

“Garantir o suprimento primeiro”

Quem constrói data centers trata a memória como insumo estratégico e fecha contratos de vários anos. Esses acordos têm um efeito pouco comentado: ao travar o preço para os grandes clientes, eles limitam os reajustes para quem os assinou e empurram a alta para quem ficou de fora, segundo a TrendForce5. Quem não tem escala para negociar, como o fabricante de celulares baratos, paga o preço cheio.

Os fabricantes de aparelhos

“Não dá mais para absorver”

Marcas de PCs e celulares estão no meio: compram caro e vendem para um consumidor que resiste. A TrendForce descreve clientes “chegando ao limite do que conseguem pagar”3. As saídas são subir preços, cortar especificações ou abandonar as faixas mais baratas. Jason Chen, da Acer, diverge dos fabricantes de chips sobre a duração: para ele, é “impossível” que a falta chegue a 2030, porque nova capacidade está entrando em operação24.

A indústria brasileira

“Pior do que na pandemia”

Para a Abinee, a crise soma memória cara a outros insumos em alta e ameaça o poder de compra. A entidade vê a demanda dos data centers de IA pressionando os preços até 2028 e alerta para o efeito sobre a inflação e sobre o ritmo de queda dos juros12.

O consumidor

“Pago mais, levo menos”

Para quem compra, a escassez aparece de três formas: preço maior, ficha técnica menor e menos opções baratas. A Gartner prevê que as pessoas ficarão 20% mais tempo com o mesmo computador, e as empresas, 15%. Quem mais perde é quem compraria o aparelho de entrada, justamente o segmento que encolhe11.

Os céticos

“Já vimos esse filme”

O mercado de memória sempre viveu de ciclos: falta, corrida para construir fábricas, sobra e queda de preços. A consultoria SemiAnalysis lembra que altas desse tipo “não se mostraram sustentáveis no longo prazo” e costumam virar em um ou dois anos. Para o site especializado Blocks & Files, clientes “fixados em garantir suprimento imediato” ignoram a ressaca, e um excesso de oferta por volta de 2028 é provável25.

Há um ponto em que a divergência é só de ênfase. Os mesmos números que representam prejuízo para um lado são lucro para o outro, e a diferença de escala impressiona.

Quando isso acaba

Ninguém sabe, e quem diz saber tem interesse na resposta. Fábrica de chip não se constrói depressa: a primeira unidade do novo polo da SK Hynix em Yongin e a primeira das novas fábricas da Micron em Idaho só devem começar a operar em 2027, e a nova linha da Samsung em Pyeongtaek, em 202828. As previsões publicadas se espalham por quatro anos.

QuemO que diz
IDCSem melhora antes de meados de 202710
GartnerA escassez pode ir até o fim de 202711
TrendForceFalta de memória de servidor já prevista para 2027, com altas trimestrais menores5
MicronOferta abaixo da demanda em 2027 e 202821
AbineePressão da demanda de IA até 202812
Grupo SKEscassez até 203023
Acer“Impossível” durar até 203024
CéticosPico por volta de 2028, seguido de excesso de oferta25

Há, por enquanto, um único sinal concreto de mudança de ritmo, e ele é recente. O reajuste mensal dos contratos do chip DDR4 vem diminuindo desde julho, e as consultas de compra no mercado à vista quase secaram no fim de setembro, segundo o jornal sul-coreano Seoul Economic Daily21.

É preciso ler esse gráfico com cuidado. Subir menos não é cair: o preço de setembro é o mais alto da série. Os que veem um pico se formando apontam que os fabricantes de aparelhos chegaram ao limite e pararam de comprar. Os que discordam lembram que a TrendForce ainda projeta alta de dois dígitos para o trimestre e que a demanda dos data centers segue firme4 21.

O que dá para fazer

Nenhuma das fontes consultadas prevê queda de preços no curto prazo. Dentro desse cenário, algumas atitudes reduzem o prejuízo de quem precisa de um aparelho:

  1. Estique a vida do que você já tem. É o que a maioria vai fazer, segundo a Gartner. Limpar o armazenamento, desinstalar o que não usa e trocar a bateria custam uma fração de um aparelho novo.
  2. Compare a ficha técnica, e não só o preço. Com fabricantes cortando memória e armazenamento, o modelo deste ano pode entregar menos que o do ano passado pelo mesmo valor. Olhe os gigabytes de RAM e de armazenamento antes de fechar.
  3. Considere o seminovo e o recondicionado. Aparelhos fabricados antes da alta carregam memória comprada pelo preço antigo. Prefira lojas que dão garantia e nota fiscal.
  4. Se o computador permite, avalie o upgrade com calma. Módulos de memória avulsos foram os que mais subiram. Em máquinas antigas, um SSD ou uma limpeza do sistema podem render mais por real gasto.
  5. Desconfie da pressa, e também da espera sem prazo. “Compre agora porque vai subir” é um argumento de venda, e não serve para quem não precisa do aparelho. Mas, se a compra é necessária, adiá-la à espera do preço antigo não tem apoio nos dados: ninguém prevê queda no curto prazo, e as marcas de PCs anunciam novos reajustes até o fim do ano.
  6. Para empresas: planeje a troca de máquinas com antecedência. Com prazos longos e preços reajustados a cada trimestre, quem deixa para a última hora paga mais e escolhe menos.

Onde os aplicativos Zuben podem ajudar

Nenhum aplicativo fabrica memória. O que um aplicativo pode fazer é não desperdiçar a que existe e ajudar o aparelho que você já tem a durar mais.

  • EspaçoZubenFilesMostra o que ocupa o armazenamento e ajuda a organizar e apagar arquivos esquecidos, o primeiro passo para um celular antigo voltar a responder bem.
  • IA sem data centerZubenTextTransforma a foto de um documento em texto com reconhecimento feito no próprio aparelho, sem enviar a imagem para servidor nenhum.
  • Leves por princípioUtilitários de uma função sóOs aplicativos da Zuben abrem, fazem uma coisa e fecham. Funcionam sem internet e não ficam rodando em segundo plano à toa.

Se o aparelho já não recebe atualizações de segurança, a troca pode ser necessária mesmo com os preços altos.

A peça sem graça

A memória voltou a ser notícia porque deixou de ser abundante. Por trás disso há uma decisão racional de três empresas, que vendem para quem paga mais, e uma aposta de centenas de bilhões de dólares de que a inteligência artificial vai precisar de toda essa capacidade por muitos anos. Se a aposta estiver certa, o aparelho barato demora a voltar. Se estiver errada, a história do setor sugere que as fábricas em construção vão inundar o mercado, e os preços vão cair tão depressa quanto subiram.

Nos dois casos, quem compra um celular em 2026 está pagando uma parte da construção dos data centers. É uma conta que não aparece discriminada em nenhuma nota fiscal, e que vale conhecer antes de decidir se a troca pode esperar.

Aviso: este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra nem de investimento. Vários números citados são previsões de consultorias e de analistas, sujeitas a revisão, e estão identificados como tal. Preços em dólar referem-se ao mercado internacional e não equivalem a preços no varejo brasileiro. As ofertas identificadas como publicidade não influenciaram o conteúdo da reportagem. A reportagem reflete as informações disponíveis em 3 de outubro de 2026.

Bibliografia

Fontes consultadas pela redação. Páginas acessadas em 3 de outubro de 2026.

  1. TRENDFORCE. Memory Price Outlook for 1Q26 Sharply Upgraded; QoQ Increases of All Product Categories to Hit Record Highs. 2 fev. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  2. TRENDFORCE. AI Server Demand to Drive Memory Contract Price Increases in 2Q26 as CSPs Secure Supply via Long-Term Agreements. 31 mar. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  3. TRENDFORCE. AI Server Demand Continues to Support Memory Prices in 3Q26, but Gains Moderate as Consumer Demand Weakens and High Base Effects Take Hold. 3 jul. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  4. TRENDFORCE. AI Server Demand Sustains Memory Contract Price Increases in 4Q26, While Consumer-Side Pressure Persists. 30 set. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  5. TRENDFORCE. Long-Term Agreements Cap Price Increases; Server DRAM Contract Prices Expected to Rise 13-18% QoQ in 3Q26. 9 jul. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  6. TRENDFORCE. Consumer DRAM Shortages Extend to DDR2 Products with Contract Prices Expected to Continue Rising in 3Q26. 22 jun. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  7. TRENDFORCE. Memory Makers Prioritize Server Applications, Driving Across-the-Board Price Increases in 1Q26. 5 jan. 2026. Disponível em: trendforce.com.
  8. IDC. Smartphone Shipments Set for Record 16.7% Drop in 2026, as the Memory Crisis Hits Full Force. 26 ago. 2026. Disponível em: idc.com.
  9. THURROTT. IDC Says Global Memory Shortage Could Tank PC and Smartphone Sales in 2026. 30 dez. 2025. Disponível em: thurrott.com.
  10. SINDPD. Venda de celulares deve ter queda recorde em 2026 (previsão da IDC de fevereiro). 27 fev. 2026. Disponível em: sindpd.org.br.
  11. GARTNER. Gartner Says Surging Memory Costs Will Reduce Global PC and Smartphone Shipments in 2026. 26 fev. 2026. Disponível em: gartner.com. Declarações de Ranjit Atwal em: THE REGISTER, Say goodbye to budget PCs and smartphones, 26 fev. 2026. Disponível em: theregister.com.
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  14. MICRON TECHNOLOGY. Micron Announces Exit from Crucial Consumer Business. 3 dez. 2025. Disponível em: investors.micron.com.
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  19. EXAME. Sony aumenta preços do PlayStation 5 no Brasil; veja os novos valores. 28 mar. 2026. Disponível em: exame.com.
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  22. THE HERALD BUSINESS. Micron’s record earnings lift outlook for Samsung Electronics, SK hynix. 1º out. 2026. Disponível em: biz.heraldcorp.com.
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  24. HARDWARE.COM.BR. CEO da Acer diz que falta de memória não vai durar até 2030, mas PCs podem seguir subindo de preço ainda em 2026. 22 set. 2026. Disponível em: hardware.com.br.
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  27. CANALTECH. Crise da memória RAM: notebooks devem ficar mais que 30% mais caros em 2026. 17 jun. 2026. Disponível em: canaltech.com.br.
  28. CNBC. An inside look at SK Hynix $720 billion AI-fueled buildout that’s taking over South Korea. 13 ago. 2026. Disponível em: cnbc.com. Ver também: TRENDFORCE NEWS, SK hynix Reportedly Raises Yongin Cluster Investments to KRW 600T; Samsung Also Boosts Spending, 17 nov. 2025.
  29. Imagem: Mixabest, “Dual-channel DDR memory use”, 27 jun. 2010, domínio público, via Wikimedia Commons. Imagem recortada pela redação.
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