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Saúde · Outubro Rosa

Outubro Rosa: o exame que não pode ficar para depois

O câncer de mama é o tumor que mais atinge e mais mata as brasileiras. Descoberto cedo, tem tratamento com altas chances de sucesso. Entre uma coisa e outra existe um intervalo feito de datas: a consulta, a mamografia, o retorno. É nele que a campanha quer que você preste atenção.

Redação Zuben · 1º de outubro de 2026 · Leitura de 12 minutos

Cúpula de um edifício público em Brasília iluminada de rosa à noite, durante a campanha Outubro Rosa
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, iluminada para o Outubro Rosa. Todo ano, prédios públicos e monumentos do país mudam de cor para lembrar a campanha. Foto: Antonio Augusto / Ascom / TSE (domínio público, via Wikimedia Commons).

Todo mês de outubro, o Brasil muda de cor. Fachadas, pontes e monumentos se iluminam de rosa, o laço aparece na lapela, nas vitrines e nos uniformes dos times de futebol. Por trás da cor há uma conta dura: o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no país entre 2026 e 20281. São, em média, cerca de 215 diagnósticos por dia.

A boa notícia é que poucas doenças graves dependem tanto do calendário. Quando o tumor é encontrado ainda restrito à mama, as chances de sucesso do tratamento são muito altas. Quando é encontrado tarde, o caminho fica mais longo, mais agressivo e mais incerto. O Outubro Rosa existe para encurtar a distância entre saber disso e marcar o exame.

De onde vem o Outubro Rosa

O movimento nasceu nos Estados Unidos, no início da década de 1990, com o laço cor-de-rosa, popularizado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, que o distribuiu aos participantes da corrida beneficente Race for the Cure12. A ideia se espalhou pelo mundo com um gesto simples e muito visual: iluminar de rosa os lugares por onde as pessoas passam.

No Brasil, uma das primeiras ações foi a iluminação do Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, em 200212. Em 2018, a campanha ganhou previsão em lei federal: a Lei nº 13.733 trata das atividades do Outubro Rosa, como a iluminação de prédios públicos, palestras e ações educativas17.

O tamanho do problema

O câncer de mama responde por 30% de todos os tumores diagnosticados em mulheres no Brasil, sem contar os de pele não melanoma2. É também a principal causa de morte por câncer entre as brasileiras4: em 2023 foram registrados 20.165 óbitos1, o equivalente a cerca de 55 por dia.

78.610novos casos por ano no Brasil, estimativa para 2026 a 2028
30%dos cânceres diagnosticados em mulheres no país
20.165mortes de mulheres por câncer de mama em 2023
2,4 mide mulheres diagnosticadas no mundo em 2024

Fontes: INCA, Estimativa 2026–2028 e Sistema de Informação sobre Mortalidade; Organização Mundial da Saúde (2026).

No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 2,4 milhões de mulheres receberam o diagnóstico em 2024, e que a doença causou 694 mil mortes naquele ano10.

Dentro do Brasil, o risco não se distribui por igual. A taxa estimada de casos novos no Sudeste é quase o triplo da registrada no Norte:

Parte dessa diferença vem do perfil da população, como idade e hábitos de vida. Outra parte vem do acesso: onde há menos mamógrafos e menos exames, menos casos são encontrados, e os que aparecem costumam chegar mais tarde.

O que é o câncer de mama

É uma doença em que células da mama passam a se multiplicar sem controle e formam um tumor. Sem tratamento, essas células podem se espalhar para outras partes do corpo10. Não se trata de uma doença única: existem vários tipos, com velocidades de crescimento e tratamentos diferentes, e é por isso que o diagnóstico sempre passa por exames de imagem e por biópsia.

Homens também têm tecido mamário e também podem adoecer. Eles representam entre 0,5% e 1% dos casos10, e o desconhecimento faz com que muitos procurem ajuda tarde.

Quem corre mais risco

O principal fator de risco é a idade: mulheres a partir dos 50 anos têm maior risco de desenvolver a doença5. O INCA organiza os demais fatores em três grupos5:

  • História hormonal e reprodutiva: primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa depois dos 55, primeira gravidez depois dos 30, não ter tido filhos, uso prolongado de anticoncepcionais orais e terapia de reposição hormonal depois da menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
  • Comportamento e ambiente: consumo de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade, sedentarismo e exposição à radiação ionizante.
  • Genética e hereditariedade: mutações em genes como BRCA1 e BRCA2. Os casos hereditários correspondem a 5% a 10% do total.

Um dado da OMS merece atenção especial: cerca de 80% dos casos ocorrem em mulheres sem nenhum fator de risco específico além do sexo e da idade10. Em outras palavras, não ter casos na família não é motivo para dispensar os exames.

Não ter casos na família não protege ninguém. A maior parte dos diagnósticos acontece em mulheres sem histórico familiar da doença.

O que dá para prevenir

Ninguém controla a idade nem a herança genética, mas parte do risco é modificável. O INCA recomenda praticar atividade física, manter o peso adequado, adotar uma alimentação saudável e evitar bebidas alcoólicas. Amamentar também protege, e deve ser incentivado pelo maior tempo possível7.

Há muito espaço para avançar. Segundo a pesquisa Vigitel de 2023, citada pelo INCA, 56,7% das brasileiras com 18 anos ou mais estão com excesso de peso3.

Sinais que pedem consulta

A recomendação atual não é mais um autoexame mensal com técnica e data fixas, que não mostrou reduzir a mortalidade. A orientação é conhecer o próprio corpo: observar e apalpar as mamas sempre que se sentir à vontade, no banho ou ao se vestir, e valorizar qualquer mudança6.

Procure um serviço de saúde se notar

  • Nódulo (caroço) endurecido e fixo na mama, em qualquer idade
  • Saída de líquido com sangue por um dos mamilos
  • Pele da mama avermelhada, repuxada ou com aspecto de casca de laranja
  • Ferida ou descamação na pele da mama que não melhora com tratamento
  • Mudança no formato do mamilo, como retração de um lado só
  • Caroço endurecido na axila
  • Inflamação na mama que não melhora depois do tratamento com antibiótico

A maioria dos nódulos não é câncer, mas só o exame médico pode dizer. Fonte: INCA6.

Mamografia: quem deve fazer e quando

A mamografia é uma radiografia das mamas capaz de mostrar alterações antes que elas possam ser sentidas. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as regras de acesso ao exame no SUS8. O que vale hoje:

IdadeO que diz o Ministério da Saúde
40 a 49 anosMamografia disponível no SUS mesmo sem sintomas, sob demanda, em decisão tomada junto com o profissional de saúde.
50 a 74 anosRastreamento de rotina a cada dois anos, mesmo sem sinais ou sintomas. O limite, que era de 69 anos, subiu para 74.
Acima de 74Decisão individualizada, que considera a expectativa de vida e outras doenças.
Qualquer idadeHavendo sinal ou sintoma suspeito, a investigação não depende de faixa etária.

A mudança tem razão de ser. A faixa de 40 a 49 anos concentra 23% dos casos, e quase 60% estão entre os 50 e os 748. Vale saber também que as principais sociedades médicas brasileiras da área (Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedade Brasileira de Mastologia e Febrasgo) recomendam uma frequência maior: mamografia anual a partir dos 40 anos14. Converse com o seu médico sobre o calendário mais adequado ao seu caso, principalmente se houver câncer de mama ou de ovário na família.

Técnica em radiologia posiciona uma paciente no mamógrafo para a realização do exame
A mamografia dura poucos minutos. A compressão da mama pode incomodar, mas é rápida e melhora a qualidade da imagem. Foto: Rhoda Baer / National Cancer Institute (domínio público, via Wikimedia Commons).

O SUS realizou 4,4 milhões de mamografias em 2024, das quais 4 milhões foram exames de rastreamento em mulheres sem sintomas3. Ainda é pouco. A meta é alcançar 70% das mulheres na faixa etária recomendada, e a cobertura real fica muito abaixo disso: segundo o INCA, varia de cerca de 5,3% em alguns estados do Norte a 33% no Espírito Santo9.

Por que o tempo importa tanto

O estágio em que o tumor é descoberto muda quase tudo. Os dados mais usados no mundo para mostrar isso vêm do registro norte-americano SEER, compilados pela American Cancer Society11:

No Brasil, o estudo internacional CONCORD-3 estimou em 75,2% a sobrevida em cinco anos das mulheres diagnosticadas entre 2010 e 201413. A distância entre esse número e os dos países que mais investem em rastreamento é, em boa parte, a distância entre descobrir cedo e descobrir tarde.

Seus direitos têm prazo

A legislação brasileira transforma em direito várias etapas desse caminho. Conhecer essas leis ajuda a cobrar16:

LeiO que garante
Lei 11.664/2008Ações de prevenção, detecção e tratamento dos cânceres de mama e do colo do útero no SUS, incluindo mamografia para mulheres a partir dos 40 anos.
Lei 13.896/2019Havendo suspeita de câncer, os exames necessários ao diagnóstico devem ser feitos em até 30 dias.
Lei 12.732/2012O primeiro tratamento no SUS deve começar em até 60 dias depois do diagnóstico confirmado em laudo.
Lei 12.802/2013Reconstrução da mama pelo SUS na mesma cirurgia da retirada do tumor, quando houver condições técnicas.

Em caso de dificuldade para marcar exames ou iniciar o tratamento na rede pública, o primeiro passo é a unidade básica de saúde. A ouvidoria do SUS atende pelo telefone 136.

O elo mais frágil: lembrar

Repare que quase tudo nesta reportagem depende de datas. A mamografia é a cada um ou dois anos. O retorno com o resultado é em algumas semanas. Quem está em tratamento convive com consultas, sessões e remédios de uso diário, muitas vezes por anos.

Intervalos longos são justamente o ponto fraco da memória humana. Ninguém esquece um exame por descuido com a própria saúde: esquece porque o último foi “ano passado, ou retrasado”, e a vida seguiu. Estudos sobre faltas a consultas mostram que um simples aviso antes da data reduz as ausências em cerca de um terço15. Aqui a tecnologia tem um papel modesto, mas real: tirar da memória o que pode ficar no bolso.

Como os aplicativos Zuben ajudam

Nenhum aplicativo faz diagnóstico nem substitui a consulta. O que os utilitários da Zuben fazem é cuidar da parte prática: lembrar das datas, mostrar o mês de uma vez e manter os documentos organizados e à mão. Todos são para Android, em português, inglês e espanhol.

  • LembrarZubenRemindLembretes com alarme de verdade, que toca em tela cheia mesmo com o celular bloqueado. Repetição diária, semanal, mensal ou anual: serve para a revisão anual das mamas, para a data da próxima mamografia e para os remédios de todo dia. Já vem com os grupos Médicos e Remédios.
  • Enxergar o mêsZubenCalendarCalendário mensal com os feriados nacionais em vermelho. Com a integração ligada, os dias que têm lembrete no ZubenRemind aparecem em amarelo e a lista do mês fica logo abaixo. Ajuda a escolher a data do exame e a não ser surpreendida por ela.
  • GuardarZubenPDFFotografa ou digitaliza pedidos médicos, laudos e resultados e junta tudo em um único PDF. O histórico de mamografias vai inteiro para a consulta, em vez de ficar espalhado em envelopes.
  • EntenderZubenTextTransforma a foto de um laudo em texto, com reconhecimento feito no próprio aparelho, sem internet. Dá para copiar um trecho e levar a dúvida anotada ao médico.
  • OrganizarZubenFilesGerenciador de arquivos para criar uma pasta “Saúde” e separar os exames por ano. Na hora de comparar a mamografia atual com a anterior, o arquivo está onde deveria.
  • EnviarZubenMailCliente de e-mail para mandar o PDF dos exames à clínica ou ao médico e guardar as confirmações de agendamento.

ZubenRemind, ZubenCalendar e ZubenText funcionam sem internet: lembretes e textos ficam apenas no seu aparelho, sem cadastro e sem conta.

Seu plano em dez minutos

O Outubro Rosa só funciona se virar compromisso com data. Um roteiro para fazer isso hoje:

  1. Descubra a data do seu último exame. Procure o laudo mais recente. Se não lembrar quando foi, esse já é o sinal de que está na hora de marcar uma consulta.
  2. Crie o lembrete da próxima mamografia. No ZubenRemind, no grupo Médicos, com a data combinada com o seu médico. Coloque um segundo aviso um mês antes, para dar tempo de agendar.
  3. Crie um lembrete anual em outubro. Com repetição anual, para revisar todo ano como estão os exames. O próprio mês da campanha vira o seu gatilho.
  4. Ligue a integração no ZubenCalendar. Em Configurações, ative “Integra com ZubenRemind”. As datas de saúde passam a aparecer no calendário do mês.
  5. Digitalize os laudos antigos. Com o ZubenPDF, reúna os resultados em um arquivo por ano e guarde na pasta “Saúde”.
  6. Lembre alguém. Mãe, irmã, amiga, colega. Perguntar “quando foi a sua última mamografia?” é o gesto mais barato da campanha.

O rosa nos prédios dura um mês. O que protege de verdade é o que fica marcado para os outros onze.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Decisões sobre exames e tratamentos devem ser tomadas com o seu médico. Os aplicativos Zuben são ferramentas de organização pessoal e não realizam diagnóstico. As ofertas identificadas como publicidade não têm relação com o tema de saúde e não influenciaram o conteúdo da reportagem.

Bibliografia

Fontes consultadas pela redação. Páginas na internet acessadas em 1º de outubro de 2026.

  1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2026–2028: síntese de resultados e comentários. Câncer de mama. Rio de Janeiro: INCA, atualizado em 4 fev. 2026. Disponível em: gov.br/inca › estimativa › câncer de mama.
  2. INCA. INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. 4 fev. 2026. Disponível em: gov.br/inca › notícias.
  3. INCA. INCA lança publicação com panorama do câncer de mama no Brasil (sobre o relatório “Controle do câncer de mama no Brasil: dados e números 2025”). 6 out. 2025. Disponível em: gov.br/inca › imprensa.
  4. INCA. Controle do câncer de mama: dados e números. Mortalidade. Disponível em: gov.br/inca › mortalidade.
  5. INCA. Controle do câncer de mama: fatores de risco. Atualizado em 1º out. 2025. Disponível em: gov.br/inca › fatores de risco.
  6. INCA. Controle do câncer de mama: detecção precoce. Atualizado em 30 set. 2025. Disponível em: gov.br/inca › detecção precoce.
  7. INCA. Controle do câncer de mama: prevenção. Atualizado em 17 out. 2024. Disponível em: gov.br/inca › prevenção.
  8. AGÊNCIA BRASIL. Ministério da Saúde passa a recomendar mamografia a partir dos 40 anos. 23 set. 2025. Disponível em: agenciabrasil.ebc.com.br.
  9. AGÊNCIA BRASIL. Inca estima 73,6 mil novos casos de câncer de mama no Brasil em 2025. 3 out. 2025. Disponível em: agenciabrasil.ebc.com.br.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Breast cancer: fact sheet. Genebra: WHO, 3 jul. 2026. Disponível em: who.int › fact sheets › breast cancer.
  11. INSTITUTO ONCOGUIA. Taxa de sobrevida para câncer de mama (dados da American Cancer Society e do programa SEER). Atualizado em 7 jan. 2025. Disponível em: oncoguia.org.br.
  12. INSTITUTO ONCOGUIA. O que é Outubro Rosa: origem, significado e importância da campanha mundial contra o câncer de mama. 9 out. 2025. Disponível em: oncoguia.org.br.
  13. ALLEMANI, C. et al. Global surveillance of trends in cancer survival 2000–14 (CONCORD-3). The Lancet, v. 391, n. 10125, p. 1023–1075, 2018.
  14. URBAN, L. A. B. D. et al. Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Radiologia Brasileira, v. 56, n. 4, p. 207–214, 2023.
  15. HASVOLD, P. E.; WOOTTON, R. Use of telephone and SMS reminders to improve attendance at hospital appointments: a systematic review. Journal of Telemedicine and Telecare, v. 17, n. 7, p. 358–364, 2011.
  16. BRASIL. Lei nº 11.664, de 29 de abril de 2008; Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012; Lei nº 12.802, de 24 de abril de 2013; Lei nº 13.896, de 30 de outubro de 2019. Disponíveis em: planalto.gov.br.
  17. BRASIL. Lei nº 13.733, de 16 de novembro de 2018. Dispõe sobre atividades da campanha Outubro Rosa. Disponível em: planalto.gov.br.
  18. Imagens: Antonio Augusto / Ascom / TSE, “Prédio do TSE com iluminação rosa, campanha Outubro Rosa”, 2 out. 2020, domínio público; Rhoda Baer / National Cancer Institute, “Woman receives mammogram”, 2005, domínio público. Ambas via Wikimedia Commons.
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