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Telemedicina: a consulta por vídeo resolve ou só adia a ida ao consultório?

Seis anos depois da pandemia, a consulta a distância virou rotina em planos de saúde, empresas e no SUS. O setor diz que sete em cada dez atendimentos terminam na tela. Estudos com milhões de consultas mostram que a maioria de fato não volta, mas que quem foi atendido por vídeo retorna ao consultório bem mais vezes do que quem foi atendido em pessoa. Seis afirmações sobre a teleconsulta, cada uma confrontada com o que a sustenta e com o que a contesta, e um roteiro para saber quando ela basta.

Redação Zuben · 13 de outubro de 2026 · Leitura de 12 minutos

Mulher de cabelo curto e camisa branca, sentada em um sofá de couro, sorri e acena para a tela de um notebook aberto à sua frente
Quase metade dos adultos conectados já fez alguma consulta a distância, segundo pesquisa de uma plataforma do setor. O que se discute é o que acontece depois que a chamada termina. Imagem ilustrativa. Foto: Look Studio/Unsplash, recortada.

O Dia do Médico, em 18 de outubro, chega neste ano com uma parte das consultas feita sem que médico e paciente estejam na mesma sala. Um painel do setor contou 7,98 milhões de atendimentos a distância no Brasil entre 2020 e 2025, 97% deles teleconsultas3. No SUS, o Ministério da Saúde informa mais de 10,3 milhões de procedimentos de telessaúde desde o início de 20256.

A prática deixou de ser provisória em 2022, quando uma lei federal autorizou a telessaúde em todo o país2 e o Conselho Federal de Medicina publicou a resolução que a regula até hoje1. A mesma resolução que libera a consulta por vídeo diz, no artigo que a define, que a consulta presencial é o “padrão ouro” e que a telemedicina é um “ato complementar”.

É dessa tensão que trata esta reportagem. Como nas outras da série, o texto não parte de uma conclusão: pega as frases que mais se ouvem sobre a consulta a distância e mostra, para cada uma, o que a sustenta, o que a contesta e o que os dados permitem dizer.

7,98 milhõesde atendimentos a distância registrados por um painel do setor no Brasil entre 2020 e 2025
72,96%desses atendimentos foram resolvidos no ambiente digital, segundo o mesmo painel
6,2%das consultas por vídeo levaram a uma consulta presencial em sete dias, em um estudo americano; nas presenciais, 1,3%
180 diasé o intervalo máximo entre consultas presenciais para quem trata doença crônica a distância, pela regra do CFM

Fontes: Saúde Digital Brasil e Datalab Serasa Experian; Reed e outros, Annals of Internal Medicine (2023); Resolução CFM nº 2.314/2022.

Três atendimentos que parecem o mesmo

A resolução do CFM lista sete modalidades de telemedicina, da telecirurgia ao telemonitoramento1. Para quem está do lado do paciente, três delas se confundem, e a diferença importa na hora de saber o que esperar da chamada.

  • TeleconsultaConsulta médica, sem a salaMédico e paciente em lugares diferentes. Vale como consulta: pode ter diagnóstico, receita, atestado e pedido de exame, com registro em prontuário1.
  • TeletriagemPara onde irO médico avalia os sintomas e indica o tipo de atendimento adequado. A norma diz que é apenas uma impressão de diagnóstico e de gravidade e que não se confunde com consulta1.
  • TeleinterconsultaMédico fala com médicoO profissional que atende o paciente, em geral no posto de saúde, discute o caso com um especialista a distância. É a base de boa parte da telessaúde do SUS1.

A distinção ajuda a ler os números. Muitos dos índices de “resolutividade” divulgados no país misturam as três coisas, e resolver uma dúvida entre médicos não é o mesmo que resolver o problema de quem está doente.

Seis afirmações postas à prova

Afirmação 1

“A consulta por vídeo resolve a maioria dos casos.”

O que sustenta

O painel da Saúde Digital Brasil, associação das empresas do setor, feito com o Datalab da Serasa Experian, registra que 72,96% dos 7,98 milhões de atendimentos de 2020 a 2025 foram resolvidos no ambiente digital, sem atendimento presencial3.

Estudos independentes apontam na mesma direção. Em 2,36 milhões de consultas de atenção primária de um grande sistema de saúde americano, em 2021, mais de 92% das feitas por vídeo ou telefone não geraram consulta presencial nos sete dias seguintes8. Em outro, com infecções respiratórias agudas, cerca de 90% dos pacientes não buscaram mais nenhum atendimento, tivessem sido vistos pela tela ou em pessoa9.

O que contesta

Os mesmos estudos mostram a diferença. No levantamento americano, 1,3% das consultas presenciais levaram a um retorno em pessoa em sete dias; nas de vídeo, 6,2%; nas de telefone, 7,6%8. Nas infecções respiratórias, 10,3% de quem começou por telemedicina procurou novo atendimento em uma semana, contra 5,9% de quem começou no consultório9.

E o número brasileiro é do próprio setor. O painel mede se o atendimento terminou no ambiente digital, e não se o paciente melhorou nem se procurou outro serviço depois. Os autores do estudo americano apontam limite parecido: só acompanharam os pacientes por sete dias, em um sistema em que prontuário e telemedicina são integrados8.

O que os dados permitem dizerAs duas metades da pergunta do título são verdadeiras ao mesmo tempo. A consulta a distância encerra a maior parte dos casos, e por isso a frase se sustenta. Mas adia a ida ao consultório para uma parcela que, nos estudos, é de quase duas a quase cinco vezes maior do que entre quem foi atendido em pessoa. O índice de 73% do setor é um bom retrato do que acontece na plataforma e um retrato incompleto do que acontece com o paciente.

Afirmação 2

“Sem exame físico, não é consulta de verdade.”

O que sustenta

A própria norma reconhece o limite. Para o CFM, a consulta presencial é o padrão de referência, e o médico é obrigado a informar ao paciente as limitações da teleconsulta “em razão da impossibilidade de realização de exame físico completo”1.

Uma revisão brasileira de 42 estudos sobre a relação entre médico e paciente mediada por tecnologia chegou à mesma lista: a impossibilidade de examinar aparece como a principal desvantagem da consulta por vídeo, ao lado de dúvidas sobre a precisão do diagnóstico12. No estudo americano, a distância entre vídeo e consultório foi maior justamente nas queixas de dor aguda, em que apalpar e auscultar fazem diferença8.

O que contesta

Nem toda consulta depende do toque. No mesmo estudo, a diferença de retornos foi a menor de todas na saúde mental8. E boa parte do que leva as pessoas à tela é conversa: em uma pesquisa com 500 adultos conectados, metade dos que usaram telemedicina citou consultas de rotina, 47,6% o esclarecimento de dúvidas e 33,6% a renovação de receitas4.

A norma também não trata a teleconsulta como algo menor. Ela permite que a relação entre médico e paciente comece de modo virtual, já na primeira consulta, e dá ao médico o direito de interromper o atendimento e chamar o paciente para concluir em pessoa1.

O que os dados permitem dizerA falta do exame físico é um limite real, e não um preconceito. Pesa pouco em acompanhamento, saúde mental, resultado de exame e renovação de tratamento, e pesa muito em dor, febre sem causa clara e qualquer queixa que o médico precise ver, tocar ou ouvir de perto. A regra do CFM transforma isso em duas obrigações: o médico avisa o que não dá para avaliar pela câmera e indica o presencial quando há risco. Se nenhum dos dois aconteceu em uma consulta sobre dor, vale desconfiar da consulta.

Afirmação 3

“A telemedicina leva o médico aonde ele não chega.”

O que sustenta

A distribuição de médicos no Brasil é o melhor argumento. Segundo a Demografia Médica 2025, as 48 cidades com mais de 500 mil habitantes têm 31% da população e 58% dos médicos. As 4.895 cidades com menos de 50 mil habitantes também têm 31% da população, e 8% dos médicos. Há 453 especialistas por 100 mil habitantes no Distrito Federal e 68 no Maranhão7.

É nesse vão que a telessaúde pública trabalha. Os núcleos do SUS atendem 4,4 mil municípios, em 62 especialidades, e o governo prevê 7 mil kits de teleatendimento para unidades básicas6. Em um projeto que ligou um hospital de São Paulo a postos de saúde da Paraíba e de Pernambuco, 96,5% de 2.355 atendimentos a distância não precisaram de encaminhamento presencial ao especialista11.

O que contesta

O grosso da telemedicina brasileira está em outro lugar. No painel do setor, 42% dos atendimentos foram pagos por planos de saúde e 31% por benefícios de empresas; os recursos públicos responderam por 8%. São Paulo, o estado com mais médicos, concentrou 2,3 milhões dos 7,98 milhões de atendimentos3.

Na ponta, a oferta ainda é minoria: em 2024, 23% dos estabelecimentos de saúde do país ofereciam teleconsulta, na rede pública e na privada5. E o resultado de 96,5% tem ressalvas dos próprios autores: quase oito em cada dez atendimentos eram conversas entre médicos, e não consultas com o paciente, e os dados usados eram incompletos11.

O que os dados permitem dizerA promessa é plausível e, no SUS, começou a virar número. Mas a telemedicina que mais cresceu no Brasil foi a de quem já tinha plano de saúde ou benefício da empresa, nos estados onde já há mais médicos. Onde o médico falta, o modelo que mais avança é o do especialista que orienta, a distância, o profissional do posto. Para o paciente do interior, isso encurta a fila do especialista; não substitui ter alguém que o examine por perto.

Afirmação 4

“Sai mais barato para o paciente e para o sistema.”

O que sustenta

Para o paciente, a conta é direta: não há transporte, estacionamento nem meio dia de trabalho perdido. A revisão brasileira cita a economia de recursos e a redução das faltas ao trabalho entre as vantagens mais repetidas na literatura12.

Para quem paga a conta, o atendimento a distância custa menos que uma ida ao pronto-socorro, e é por isso que planos e empresas o oferecem. No estudo das infecções respiratórias, quem começou pela telemedicina foi um pouco menos ao pronto-socorro na semana seguinte: 0,5%, contra 0,6%9. No de atenção primária, o médico receitou menos pela tela: houve prescrição em 46,8% das consultas presenciais, 38,4% das de vídeo e 34,6% das de telefone8.

O que contesta

A facilidade cria consultas que não existiriam. Pesquisadores da RAND e de Harvard analisaram os gastos de mais de 300 mil pessoas com plano de saúde nos Estados Unidos e estimaram que só 12% das consultas a distância por doença respiratória substituíram outro atendimento. As outras 88% eram uso novo: gente que, sem a opção, não teria procurado ninguém. O gasto anual com esse tipo de doença subiu US$ 45 por usuário10.

Os retornos entram na mesma conta. Os autores do estudo das infecções respiratórias concluem que a economia da primeira consulta precisa ser pesada contra o gasto com os atendimentos que vêm depois9.

O que os dados permitem dizerPara o bolso e o tempo do paciente, a consulta por vídeo quase sempre sai mais barata. Para o sistema, depende de ela substituir uma consulta ou se somar a ela. Uso novo não é, por si, desperdício: pode ser justamente o acesso que faltava. Mas a ideia de que a telemedicina reduz o custo total da saúde não tem, até aqui, um estudo que a confirme. Os dois trabalhos mais citados são americanos e anteriores ou contemporâneos à pandemia; não há medição equivalente para o Brasil.

Afirmação 5

“Receita e atestado de consulta online não valem.”

O que sustenta

A desconfiança tem motivo. O documento chega como um arquivo no celular, sem carimbo nem caneta. Em junho de 2026, o CFM anunciou uma plataforma de inteligência artificial para identificar falsos médicos e empresas de fachada, cruzando registros profissionais, cadastros de empresas e redes sociais14.

O paciente também não se sente preparado para separar uma coisa da outra. Na pesquisa da plataforma Olá Doutor, 40,4% dos entrevistados disseram ter dificuldade ou não saber identificar um serviço falso de telemedicina, e outros 37,8% só conseguiriam em parte4.

O que contesta

Emitidos dentro da regra, valem o mesmo que os de papel. A resolução do CFM prevê a emissão a distância de relatório, atestado e prescrição, desde que o prontuário registre a identificação do médico, com nome, número do CRM e endereço profissional1. O que dá validade ao arquivo é a assinatura digital do médico, no padrão ICP-Brasil ou em outro aceito por lei13.

Isso tem uma consequência prática: a assinatura está no arquivo original. Foto de tela, impressão ou cópia reenviada por mensagem perdem a parte que comprova a autenticidade. A farmácia e a empresa conferem o documento pelo arquivo, e não pela aparência dele.

O que os dados permitem dizerA frase é falsa: receita e atestado de teleconsulta valem em todo o país quando têm assinatura digital e saem de um atendimento registrado. O que não vale é o documento sem assinatura verificável ou emitido por quem não é médico. Para o paciente, a checagem cabe em três passos: conferir o nome e o CRM no site do conselho de medicina do estado, guardar o arquivo original e desconfiar de qualquer serviço que ofereça atestado sem consulta.

Afirmação 6

“Do outro lado da tela está tudo seguro: é um médico, e meus dados ficam guardados.”

O que sustenta

No papel, a proteção é extensa. A resolução exige que todo atendimento por telemedicina seja registrado em prontuário, que dados e imagens do paciente sejam preservados com sigilo e que os sistemas sigam um padrão de segurança definido. Manda aplicar a Lei Geral de Proteção de Dados, que trata informação de saúde como dado sensível, e garante ao paciente o direito de pedir cópia do seu registro1.

A consulta também depende de consentimento. O paciente autoriza o atendimento a distância antes de começar e, assim como o médico, pode interrompê-lo e optar pelo presencial1.

O que contesta

Quem usa não sabe se a regra é cumprida. Entre os entrevistados da pesquisa, 47% não sabem como seus dados são armazenados e 47,6% se perguntam quem tem acesso a eles. Um terço, 34,2%, se sente pouco preparado para reconhecer um “médico” gerado por inteligência artificial4.

A pesquisa tem limites: foi feita por uma empresa do setor, com 500 pessoas conectadas à internet. Mas a preocupação não é só de quem responde questionário. A fiscalização dos conselhos foi desenhada para consultórios com endereço, e o próprio CFM passou a recorrer a ferramentas automáticas para encontrar quem atende sem registro14.

O que os dados permitem dizerA regra protege; o que falta ao paciente é um jeito de saber se ela está sendo seguida. Enquanto isso, a segurança depende de escolhas simples: usar o serviço indicado pelo plano, pelo SUS ou por um médico conhecido, conferir o CRM de quem atende, ler para que os dados serão usados antes de aceitar e não fazer consulta por links recebidos em mensagens. Consulta de verdade tem médico identificado e prontuário, e o paciente pode pedir a cópia dele.

Quando a tela costuma bastar e quando não

A lista abaixo junta o que os estudos e a regra do CFM indicam. É uma orientação geral: quem decide se o caso cabe em uma teleconsulta é o médico, e ele pode mudar de ideia no meio do atendimento.

A consulta por vídeo costuma bastar

  • Retorno para mostrar resultado de exame.
  • Acompanhamento de doença crônica controlada, entre as consultas presenciais.
  • Renovação de receita de tratamento que já está em curso.
  • Saúde mental, em que a consulta é sobretudo conversa.
  • Dúvida sobre sintoma leve ou orientação sobre para onde ir.

O consultório continua necessário

  • Dor que o médico precisa apalpar, como na barriga, ou ouvir, como no peito.
  • Febre que persiste ou sintoma que piora depois de uma teleconsulta.
  • Queixa nova em criança pequena, idoso frágil ou gestante.
  • Doença crônica sem consulta presencial há mais de 180 dias.
  • Qualquer caso em que o médico diga que não consegue avaliar pela câmera.

Urgência não é caso de teleconsulta

Diante destes sinais, não agende consulta por vídeo: ligue para o SAMU, no 192, ou vá ao pronto-socorro mais próximo.

  • Dor ou aperto no peito e falta de ar.
  • Fraqueza de um lado do corpo, boca torta ou fala enrolada de repente.
  • Desmaio, convulsão ou confusão mental.
  • Sangramento que não para ou ferimento profundo.
  • Dificuldade de respirar ou lábios arroxeados, em qualquer idade.

A teletriagem pode orientar para onde ir, mas a própria norma do CFM diz que ela não substitui a consulta1.

O que fazer antes, durante e depois da chamada

  1. Escolha o serviço pelo caminho conhecido. O aplicativo do plano de saúde, o serviço indicado pela unidade do SUS ou o médico que já acompanha você. Não entre em consulta por link recebido em mensagem.
  2. Confira quem vai atender. Nome completo e CRM, com o estado. A busca de médicos nos sites dos conselhos de medicina é gratuita.
  3. Prepare a consulta. Anote os sintomas, desde quando e o que piora ou melhora. Separe os remédios em uso, os exames recentes e, se tiver, medidas de temperatura e pressão.
  4. Cuide do lugar. Ambiente reservado, boa luz de frente, câmera na altura do rosto e internet estável. Fone de ouvido ajuda a manter a conversa privada.
  5. Pergunte o que não deu para avaliar. O médico é obrigado a informar os limites da teleconsulta. Peça que diga em que situação você deve procurar atendimento presencial.
  6. Guarde os arquivos originais. Receita, atestado e pedido de exame valem pela assinatura digital, que está no arquivo e não na foto da tela.
  7. Marque o retorno. Se não melhorar no prazo que o médico indicou, procure atendimento em pessoa. Em doença crônica, a consulta presencial deve acontecer pelo menos a cada 180 dias.
  8. Lembre o que o serviço não cobre. Plataforma de telemedicina não é plano de saúde: exame, internação e cirurgia passam pelo plano ou pelo SUS13. E você pode pedir o atendimento presencial quando preferir.

Onde os aplicativos Zuben podem ajudar

Uma consulta a distância rende mais quando o paciente chega preparado e sai com os documentos guardados. Três utilitários simples cuidam dessa parte.

  • AgendaZubenRemindUm lembrete para a hora da chamada, para o retorno combinado e para a consulta presencial que não pode passar de 180 dias.
  • PreparoZubenNotesPara anotar sintomas, remédios em uso e as perguntas que você não quer esquecer de fazer.
  • DocumentosZubenPDFPara reunir exames em papel em um só arquivo antes da consulta e mostrar ao médico sem procurar folha por folha.

Os aplicativos funcionam sem cadastro e guardam os dados apenas no aparelho. Não fazem consultas nem substituem o atendimento médico.

A pergunta que ficou

A consulta por vídeo resolve ou só adia? Resolve a maior parte: nos estudos, nove em cada dez pacientes atendidos a distância não voltam na semana seguinte. E adia para uma parte menor, mas várias vezes maior do que a de quem foi atendido em pessoa. Os dois números descrevem a mesma coisa, uma ferramenta que funciona bem para o que é conversa e acompanhamento e mal para o que depende do toque.

O que os dados ainda não respondem é o que mais interessa a um país com 8% dos médicos em quase 5 mil cidades. A telemedicina brasileira cresceu primeiro entre quem já tinha plano e médico por perto, e só agora ganha escala no SUS. Saber se ela vai aproximar o médico de quem não tem nenhum, ou apenas tornar mais cômoda a consulta de quem já tinha, depende de uma medição que o próprio setor ainda não faz: a do que acontece com o paciente depois que a chamada termina.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico, presencial ou a distância. Em caso de urgência, ligue para o SAMU (192). Os dados da Saúde Digital Brasil e da plataforma Olá Doutor foram produzidos por empresas do setor de telemedicina. Os estudos sobre retornos e gastos foram feitos nos Estados Unidos, com pessoas que têm plano de saúde, e seus resultados podem não se repetir no Brasil. As ofertas identificadas como publicidade não influenciaram o conteúdo da reportagem, e os produtos anunciados não foram avaliados pela redação nem são equipamentos médicos.

Bibliografia

Fontes consultadas pela redação. Páginas acessadas em 13 de outubro de 2026.

  1. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.314, de 20 de abril de 2022. Define e regulamenta a telemedicina (arts. 3º, 4º, 5º, 6º, 11 e 13). Disponível em: sistemas.cfm.org.br.
  2. BRASIL. Lei nº 14.510, de 27 de dezembro de 2022. Autoriza e disciplina a prática da telessaúde em todo o território nacional. Disponível em: planalto.gov.br.
  3. CORREIO BRAZILIENSE, via Clube FM. Telessaúde no Brasil: painel revela quase 8 milhões de atendimentos (painel da Saúde Digital Brasil com o Datalab da Serasa Experian). 2 jun. 2026. Disponível em: clube.fm.
  4. MEDICINA S/A. Como os brasileiros usam a telemedicina em 2026? (pesquisa da plataforma Olá Doutor). 14 set. 2026. Disponível em: medicinasa.com.br.
  5. CETIC.BR. Estabelecimentos de saúde brasileiros avançam na digitalização, mas habilidade em informática aplicada à área ainda é reduzida entre os profissionais do setor, revela pesquisa (TIC Saúde 2024). 11 out. 2024. Disponível em: cetic.br.
  6. SAÚDE DIGITAL NEWS. Ministério da Saúde apresenta campanha com orientações sobre acesso a consultas, exames e cirurgias pelo SUS. 6 out. 2026. Disponível em: saudedigitalnews.com.br.
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  9. LI, K. Y. e outros. Direct-To-Consumer Telemedicine Visits For Acute Respiratory Infections Linked To More Downstream Visits. Health Affairs, v. 40, n. 4, p. 596-602, 2021. Disponível em: doi.org/10.1377/hlthaff.2020.01741.
  10. ASHWOOD, J. S. e outros. Direct-To-Consumer Telehealth May Increase Access To Care But Does Not Decrease Spending. Health Affairs, v. 36, n. 3, p. 485-491, 2017. Disponível em: doi.org/10.1377/hlthaff.2016.1130.
  11. UCHIMURA, L. Y. T. e outros. Telessaúde: caminho para a resolutividade da atenção primária? Ciência & Saúde Coletiva, v. 31, n. 7, 2026. Disponível em: scielo.br.
  12. CATAPAN, S. C.; CALVO, M. C. M. Teleconsulta: uma revisão integrativa da interação médico-paciente mediada pela tecnologia. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 44, n. 1, 2020. Disponível em: scielo.br.
  13. UAI. Receita e atestado por teleconsulta valem? O que diz a regra do Conselho Federal de Medicina (texto produzido em colaboração com uma empresa do setor). 7 out. 2026. Disponível em: uai.com.br.
  14. O TEMPO. CFM lança plataforma de IA para identificar falsos médicos e empresas de fachada. 5 jun. 2026. Disponível em: otempo.com.br.
  15. Imagem: mulher acenando para a tela de um notebook, de Look Studio, sob a Licença Unsplash, via Unsplash.
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