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Saúde · Verão

Protetor solar: o que os dados dizem sobre sol, pele e proteção

O câncer de pele é o mais comum do Brasil, com 263 mil casos novos por ano, e só um em cada quatro brasileiros passa protetor todos os dias. O único grande experimento sobre o tema mostrou menos tumores em quem usou. Mas a quantidade aplicada é metade da testada, parte dos frascos não entrega o fator do rótulo e o preço pesa. Sete afirmações sobre o protetor solar, cada uma confrontada com o que a sustenta e com o que a contesta.

Redação Zuben · 8 de outubro de 2026 · Leitura de 14 minutos

Duas fotos das costas de um homem: à esquerda, em luz normal, a pele parece sem nada; à direita, em luz ultravioleta, aparece o desenho de um sol feito com protetor solar
O mesmo protetor, de fator 30, em luz comum e em fotografia ultravioleta: invisível a olho nu, ele aparece escuro porque absorve a radiação, e a pele sem produto fica clara. Foto: Andrew Steele (domínio público, via Wikimedia Commons), recortada.

De cada três cânceres diagnosticados no Brasil, um é de pele. O Instituto Nacional de Câncer estima 263.280 casos do tipo não melanoma e 9.360 de melanoma em 2026, dentro de um total de 781 mil tumores de todos os tipos1. O principal fator de risco é conhecido e está no céu o ano inteiro.

A recomendação também é conhecida, e pouco seguida. Em pesquisa do Datafolha para a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), 23% disseram usar protetor solar todos os dias, e 44% contaram que se expõem ao sol entre 10h e 15h, o pior horário3. Em dezembro, a campanha Dezembro Laranja, da SBD, volta a repetir o conselho.

Como nas outras reportagens desta série, o texto não parte de uma conclusão. Pega as frases mais repetidas sobre o protetor solar, a favor e contra, e faz com cada uma a mesma coisa: mostra o que a sustenta, o que a contesta e o que sobra de pé.

263 milcasos de câncer de pele não melanoma estimados para 2026 no Brasil, um terço de todos os tumores
23%dos brasileiros disseram usar protetor solar todos os dias
2 mg/cm²é a quantidade usada no teste do fator de proteção; na prática, aplica-se de 0,39 a 1,0
16 de 20protetores testados na Austrália em 2025 ficaram abaixo do fator do rótulo

Fontes: INCA, Estimativa 2026; Datafolha e SBD (2016); Petersen e Wulf (2014); CHOICE (jun. 2025).

O que o rótulo mede: UVB, UVA e FPS

O sol emite dois tipos de radiação ultravioleta que chegam à pele, e o número grande da embalagem fala de apenas um deles.

  • QueimaUVBÉ a radiação que deixa a pele vermelha e causa a queimadura. É mais forte no meio do dia e no verão.
  • PenetraUVAChega mais fundo na pele e está ligada ao envelhecimento. No Brasil, a proteção UVA do produto precisa ser de pelo menos um terço do FPS20.
  • O númeroFPSO fator de proteção solar mede a defesa contra a queimadura do UVB. O teste é feito em laboratório, com 2 miligramas de produto por centímetro quadrado de pele8.

A Anvisa exige FPS mínimo de 6 para que um produto seja vendido como protetor solar e proíbe a expressão “bloqueador solar” no rótulo, porque nenhum produto barra toda a radiação20. O consenso da SBD recomenda fator 30 ou mais.

Sete afirmações postas à prova

Afirmação 1

“Protetor solar previne câncer de pele.”

O que sustenta

Um experimento feito em Nambour, na Austrália. Entre 1992 e 1996, 1.621 adultos foram sorteados em dois grupos: um passou protetor todos os dias na cabeça, no pescoço, nos braços e nas mãos; o outro usou quando quis. Ao fim de quatro anos e meio, o grupo do uso diário teve 39% menos tumores do tipo carcinoma espinocelular5.

Dez anos depois do fim do estudo, os pesquisadores voltaram a contar. Houve 11 melanomas no grupo do uso diário e 22 no outro. Entre os melanomas invasivos, os mais perigosos, a diferença foi de 3 contra 116.

O que contesta

É um estudo só, em uma cidade, com população de pele clara, e nunca foi repetido. No carcinoma basocelular, o câncer de pele mais comum, o protetor não fez diferença. E o número de pessoas que tiveram um primeiro tumor foi parecido nos dois grupos: o efeito apareceu na quantidade de tumores5.

No melanoma, a redução total ficou no limite do que a estatística aceita como resultado, e os próprios autores escreveram que o efeito do protetor sobre esse tumor era “altamente controverso” antes do estudo6. Um cálculo australiano estimou que o uso habitual evita cerca de 9% dos carcinomas espinocelulares e 14% dos melanomas no país7. Ajuda, e está longe de resolver sozinho.

O que os dados permitem dizerPrevine parte dos casos, e a melhor prova vem de um único experimento. Ele mostrou efeito no carcinoma espinocelular e indícios fortes no melanoma, com um protetor de fator baixo para os padrões de hoje, e nenhum efeito no tipo mais comum. É o suficiente para recomendar o uso e insuficiente para tratar o protetor como escudo: sombra, roupa e horário continuam na conta.

Afirmação 2

“Acima de 30, fator de proteção é só marketing.”

O que sustenta

A conta. O FPS diz que fração da radiação que queima passa pelo produto: no fator 30, passa 1/30, cerca de 3,3%; no 50, passa 2%; no 100, 1%. Do fator 30 para o 100, a proteção sobe de 96,7% para 99%. A diferença parece pequena, e o preço costuma subir bem mais do que isso.

Há também o risco do excesso de confiança. Os pesquisadores dinamarqueses Bibi Petersen e Hans Christian Wulf escreveram que o rótulo atual superestima a proteção real e pode levar o consumidor a achar seguro ficar mais tempo no sol8.

O que contesta

A mesma conta, vista do outro lado: o fator 50 deixa passar 40% menos radiação do que o 30, e o 100, metade do que passa no 50. E a conta só vale com a quantidade do laboratório. Na prática, as pessoas aplicam de 0,39 a 1,0 miligrama por centímetro quadrado, e não 2, o que reduz bastante a proteção. Um fator muito alto compensa parte dessa diferença8.

Foi o que mostrou um teste com 199 pessoas em Vail, no Colorado: cada uma passou fator 50+ em uma metade do rosto e 100+ na outra. Depois de seis horas de sol, 55,3% estavam mais queimadas no lado do fator 50, e 5% no lado do fator 1009.

O que os dados permitem dizerNão é só marketing, e também não é o que o número sugere. Quem aplica a quantidade certa já está bem protegido com fator 30. Como quase ninguém aplica, o fator mais alto funciona como margem de erro, e o teste em uso real mediu essa margem. O erro é usar o fator alto como licença para ficar mais tempo no sol.

Afirmação 3

“Passei de manhã, estou protegido o dia inteiro.”

O que sustenta

A regra de reaplicar a cada duas horas é mais tradição do que medida. Uma revisão publicada em 2020 na revista da Associação Médica Canadense cita evidências de que o protetor permanece na pele, no fator esperado, por até oito horas depois de uma única aplicação, desde que não haja água nem suor17. Para quem passa de manhã e trabalha em ambiente fechado, isso cobre o dia.

O que contesta

O problema está na primeira aplicação. Os consumidores usam de 20% a 50% da quantidade recomendada17, esquecem áreas inteiras e muitas vezes passam o produto depois de já estar no sol. Por isso, Petersen e Wulf propõem uma regra simples: aplicar antes de sair e reaplicar uma vez na primeira hora, para cobrir o que faltou8.

No Brasil, um levantamento com 1.793 pessoas mostrou que 80% não sabiam quanto aplicar, 72% não reaplicavam e 63% não usavam em dia nublado4. Água e suor tiram o produto: o presidente da SBD, Carlos Barcaui, recomenda passar meia hora antes da exposição e repetir depois do banho de mar e do suor22.

O que os dados permitem dizerDepende do dia. Em rotina de escritório, uma aplicação bem-feita pela manhã pode bastar. Na praia, na piscina, no esporte e no trabalho ao ar livre, não basta, porque água, suor e atrito removem o produto. E nos dois casos o que mais falta é quantidade: uma colher de chá cheia para o rosto e o pescoço e cerca de sete para o corpo de um adulto13.

Afirmação 4

“O que está no rótulo é o que está no frasco.”

O que sustenta

O fator só pode ir para a embalagem depois de testes em laboratório, pelas regras da Anvisa, endurecidas em 2012 e consolidadas em 202220. Em testes independentes, a maioria passa: em Portugal, a associação de consumidores DECO PROteste avaliou 39 protetores para o corpo em 2025, e 38 entregaram a proteção anunciada13.

A indústria contesta os resultados ruins. Quando a Proteste reprovou produtos no Brasil, em 2016, a associação dos fabricantes disse que o método usado não era reconhecido pela comunidade científica, e uma das empresas apresentou laudos de outros laboratórios com fator acima do declarado14.

O que contesta

Na Austrália, onde duas em cada três pessoas têm câncer de pele ao longo da vida, a associação de consumidores CHOICE testou 20 protetores em 2025, e 16 ficaram abaixo do fator do rótulo. O pior, vendido como 50+, mediu 4; um segundo laboratório, na Alemanha, mediu 5. O fabricante retirou o produto das lojas, e laboratórios contratados pelas marcas foram apontados como origem dos laudos que sustentavam os rótulos1011.

Em Portugal, em 2026, dois de 12 protetores de fator 50+ mediram 3012. No Brasil, no teste de 2016 com dez protetores para o rosto, cinco ficaram abaixo do rótulo além da margem de 17% aceita pela Anvisa; em um deles, a proteção era 42% menor14.

O que os dados permitem dizerNem sempre, e o consumidor não tem como saber olhando o frasco. Dois pontos atenuam o problema. Mesmo na Austrália, 15 dos 16 reprovados mediram fator entre 24 e 4310: protegem menos do que prometem, mas protegem. E preço não é garantia: no teste português de 2026, o mais bem avaliado era também o mais barato12. No Brasil, o último teste amplo divulgado tem dez anos.

Afirmação 5

“Quem usa protetor todo dia fica sem vitamina D.”

O que sustenta

A lógica faz sentido: a vitamina D é produzida na pele sob a mesma radiação UVB que o protetor barra. Em laboratório, com lâmpadas ultravioleta, o protetor reduziu bastante a produção da vitamina, como mostram os quatro experimentos reunidos em uma revisão australiana de 201915.

E a revisão aponta um buraco: os dois ensaios feitos em condições reais usaram protetores de fator em torno de 16. Não há experimento com os fatores altos recomendados hoje15.

O que contesta

Fora do laboratório, o efeito não aparece. A mesma revisão juntou 69 estudos de observação: a maioria não encontrou relação, ou encontrou níveis mais altos de vitamina D em quem dizia usar protetor, provavelmente porque essas pessoas tomam mais sol. Os dois ensaios com sorteio não acharam diferença15.

Um painel de 13 especialistas de vários países chegou à mesma conclusão: o uso diário não compromete a vitamina D em pessoas saudáveis. A exceção são os pacientes com doenças de sensibilidade à luz, que precisam de proteção rigorosa com roupa, sombra e fator alto; para eles, o painel recomenda exame e suplemento16.

O que os dados permitem dizerO risco existe na teoria e não foi encontrado na vida real, em boa parte pelo motivo da afirmação 3: ninguém aplica tanto produto, em tanta pele, o tempo todo. Falta de vitamina D se resolve com exame e, se for o caso, suplemento indicado por médico. Tomar sol sem proteção para produzir vitamina troca um problema que tem remédio por um fator de risco de câncer.

Afirmação 6

“Os filtros químicos entram no sangue e fazem mal.”

O que sustenta

A primeira metade é fato medido. Pesquisadores da FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos, aplicaram quatro protetores em 48 voluntários e mediram seis filtros no sangue. Todos passaram do limite de 0,5 nanograma por mililitro, acima do qual a agência pede estudos extras de segurança, e isso já no primeiro dia, depois de uma única aplicação. A oxibenzona chegou a 258 ng/mL18.

Há ainda a questão ambiental: os filtros químicos aparecem em amostras de água, e a oxibenzona e o octinoxato foram proibidos em alguns lugares por suspeita de dano a recifes de coral17.

O que contesta

Absorver não é o mesmo que fazer mal. O limite de 0,5 ng/mL não é uma dose tóxica: é a linha a partir da qual a agência exige mais testes. O estudo usou a condição máxima, com produto em 75% do corpo, quatro vezes por dia, e os próprios autores concluíram que os resultados “não indicam que as pessoas devam deixar de usar protetor solar”18.

A revisão canadense classifica como de baixa qualidade as evidências de efeito hormonal em humanos. E há alternativa para quem prefere evitar a dúvida: os filtros minerais, de óxido de zinco e dióxido de titânio, não são absorvidos pelo organismo17.

O que os dados permitem dizerEntram no sangue, e ninguém demonstrou que fazem mal a pessoas nas doses de uso. O que existe é uma pergunta em aberto, que a própria FDA mandou a indústria responder, de um lado, e um dano conhecido e medido, o do sol, do outro. Quem se incomoda com a dúvida tem os filtros minerais. Para bebês com menos de seis meses, a orientação citada na revisão é outra: sombra e roupa, sem protetor17.

Afirmação 7

“Protetor solar é caro demais para usar todo dia.”

O que sustenta

O imposto pesa. Em seminário com deputados e dirigentes da SBD, em dezembro de 2025, a presidente da SBD no Distrito Federal, Letícia Oba Galvão, afirmou que a carga tributária do protetor é de 40% e que proteger uma família de quatro pessoas custa cerca de R$ 2 mil por ano19. Na reforma tributária, o produto ficou na alíquota cheia, estimada em perto de 28% quando o texto foi votado; o presidente de uma das maiores fabricantes calculou, na época, alta de R$ 5 em um frasco de R$ 5021.

E a renda aparece no uso. Na pesquisa do Datafolha, só metade das pessoas de menor escolaridade e renda usava protetor. Entre as crianças de até 15 anos, 20% não tinham proteção nenhuma; nas classes D e E, 35%3.

O que contesta

Caro e bom não andam juntos. No teste português de 2026, o protetor mais bem avaliado custava cerca de um quarto do preço do mais caro12, e o de 2025 concluiu que “protetores bons não precisam de ser caros”13. O que vale comparar é o preço por 100 mililitros, e não o do frasco.

E protetor não é a única proteção, nem a primeira. Sombra, chapéu, roupa e horário custam pouco e não dependem de quantidade nem de reaplicação. Na mesma pesquisa, 44% se expunham entre 10h e 15h, e ninguém cumpria o conjunto completo das recomendações3. Um projeto que classifica o protetor como bem essencial e limita seus impostos foi aprovado em uma comissão da Câmara em dezembro de 2024 e ainda dependia de outras comissões e do plenário23.

O que os dados permitem dizerÉ caro para muita gente, e o imposto explica parte do preço. Mas a conta de R$ 2 mil supõe produto de marca usado na quantidade certa por todos, todos os dias. Quem tem pouco para gastar protege mais com sombra, chapéu, manga comprida e fuga do sol do meio-dia, e deixa o protetor, do mais barato com fator 30, para a pele que fica de fora. Entre o ideal dos consultórios e o nada, há muito espaço.

Onde há acordo e onde a discussão continua

O que quase ninguém contesta

  • O sol é a principal causa do câncer de pele, o mais comum no Brasil.
  • O protetor reduz queimaduras e parte dos tumores.
  • A quantidade aplicada é muito menor que a do teste do rótulo.
  • Sombra, roupa, chapéu e horário protegem tanto ou mais que o produto.
  • Bebês com menos de seis meses devem ficar fora do sol, e não com protetor.

O que continua em discussão

  • Quanto o protetor reduz o melanoma e o carcinoma basocelular.
  • Se os filtros absorvidos pelo corpo têm algum efeito na saúde.
  • Quanto do fator do rótulo chega de fato à pele, e quem fiscaliza.
  • Se fatores muito altos afetam a vitamina D.
  • Se o protetor deve pagar menos imposto ou ser distribuído pelo SUS.

O que fazer com tudo isso

  1. Comece pela sombra e pelo relógio. Entre 10h e 16h o sol é mais forte. Guarda-sol, árvore, marquise e mudança de horário vêm antes de qualquer produto.
  2. Vista a proteção. Chapéu de aba, óculos escuros e roupa cobrem o que o protetor não precisa cobrir.
  3. Escolha fator 30 ou mais, com proteção UVA. Se costuma passar pouco, o fator mais alto dá margem.
  4. Passe bastante. Uma colher de chá cheia para rosto e pescoço e cerca de sete para o corpo de um adulto. Orelhas, nuca, peito do pé e couro cabeludo à mostra entram na conta.
  5. Passe antes. Cerca de meia hora antes de sair, e de novo na primeira hora de sol, para cobrir o que faltou.
  6. Repita depois da água e do suor. Em praia, piscina e esporte, a cada mergulho ou a cada duas horas.
  7. Compare o preço por 100 ml. Marca cara não é garantia de fator. Confira também a validade.
  8. Olhe a própria pele. Uma vez por mês, de preferência com fotos para comparar.

Quando procurar um dermatologista

Descoberto no começo, o melanoma tem cura em mais de 90% dos casos2. A regra do ABCDE, usada nas campanhas de prevenção, ajuda a reconhecer a pinta que merece consulta:

  • Assimetria: uma metade diferente da outra.
  • Bordas irregulares ou mal definidas.
  • Cor variada: vários tons na mesma pinta.
  • Diâmetro maior que 6 milímetros.
  • Evolução: mudou de tamanho, forma ou cor.

Também merecem avaliação a ferida que não cicatriza em quatro semanas e a mancha que coça, descama ou sangra. No SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde.

Onde os aplicativos Zuben podem ajudar

Proteção solar depende de repetição e de atenção à própria pele. Três utilitários simples ajudam nessa rotina.

  • ReaplicaçãoZubenRemindUm lembrete para repassar o protetor no dia de praia e outro, uma vez por ano, para a consulta com o dermatologista.
  • PreçoZubenCalcPara dividir o preço pelo volume e comparar dois frascos pelo valor de cada 100 ml.
  • PintasZubenGalleryUm álbum com fotos das pintas, tiradas todo mês, mostra se alguma mudou de tamanho, forma ou cor.

Os aplicativos funcionam sem internet e não pedem cadastro.

A pergunta que ficou

O protetor solar funciona? Funciona, menos do que o rótulo promete e mais do que os boatos admitem. O melhor experimento disponível mostrou menos tumores em quem usou todos os dias. Os mesmos dados mostram que o número da embalagem é medido com o dobro ou o triplo do produto que as pessoas passam, que parte dos frascos não entrega o fator anunciado e que os filtros chegam ao sangue sem que se saiba se isso importa.

Nada disso muda a ordem das coisas. O risco demonstrado é o do sol, e são 263 mil casos por ano. O protetor é uma das defesas, a mais cara e a que mais depende de uso correto. As outras, sombra, roupa e horário, são mais antigas, mais baratas e não têm fator de proteção impresso. Quem junta todas não precisa escolher um lado da discussão.

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. A escolha do protetor e os cuidados com bebês, gestantes, pessoas com doenças de pele ou em tratamento devem ser orientados por um profissional de saúde. Os testes de associações de consumidores citados avaliaram produtos, lotes e países específicos, e seus resultados foram contestados por fabricantes. A pesquisa nacional sobre hábitos de uso é de 2016. Os fatores de proteção informados nos anúncios são os declarados pelos fabricantes. As ofertas identificadas como publicidade não influenciaram o conteúdo da reportagem.

Bibliografia

Fontes consultadas pela redação. Páginas acessadas em 8 de outubro de 2026.

  1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Brasil: estimativa dos casos novos (Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil). 4 fev. 2026. Disponível em: gov.br/inca.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA ONCOLÓGICA. Melanoma: responde por 4 entre 10 mortes, alerta SBCO. 6 jan. 2023. Disponível em: sbco.org.br.
  3. ACORDA CIDADE. Sociedade Brasileira de Dermatologia lança pesquisa inédita sobre exposição solar e fotoproteção (pesquisa Datafolha). 27 dez. 2016. Disponível em: acordacidade.com.br.
  4. ABIHPEC. Pesquisa diz que 70% dos brasileiros não usam filtro solar todo dia e 80% não sabem quanto aplicar (Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele). Jan. 2018. Disponível em: abihpec.org.br.
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  6. GREEN, A. C. e outros. Reduced melanoma after regular sunscreen use: randomized trial follow-up. Journal of Clinical Oncology, 2011. Disponível em: doi.org.
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  10. CHOICE. 16 of 20 sunscreens didn’t meet SPF claims in CHOICE test. 12 jun. 2025. Disponível em: choice.com.au.
  11. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. 16 de 20 protetores solares testados na Austrália não entregam o FPS prometido. 15 set. 2025. Disponível em: cff.org.br.
  12. DECO PROTESTE. DECO PROteste não recomenda dois protetores solares FPS 50+. 25 maio 2026. Disponível em: deco.proteste.pt.
  13. DECO PROTESTE. Protetor solar 50+ com fator de proteção abaixo do anunciado retirado das lojas. 8 jul. 2025. Disponível em: deco.proteste.pt.
  14. METRÓPOLES. Filtros solares famosos têm proteção abaixo da indicada. Veja lista (teste da Proteste). 28 nov. 2016. Disponível em: metropoles.com.
  15. NEALE, R. E. e outros. The effect of sunscreen on vitamin D: a review. British Journal of Dermatology, 2019. Disponível em: doi.org.
  16. PASSERON, T. e outros. Sunscreen photoprotection and vitamin D status. British Journal of Dermatology, 2019. Disponível em: doi.org.
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  18. MATTA, M. K. e outros. Effect of sunscreen application on plasma concentration of sunscreen active ingredients: a randomized clinical trial. JAMA, 2020. Disponível em: doi.org.
  19. TRIBUNA DO SERTÃO. Tributação e falta de especialistas dificultam combate ao câncer de pele no Brasil. 3 dez. 2025. Disponível em: tribunadosertao.com.br.
  20. ANVISA. Resolução RDC nº 629, de 10 de março de 2022 (protetores solares e produtos multifuncionais). Texto consultado em: normasbrasil.com.br.
  21. PODER360. Protetor solar ficará mais caro com reforma tributária, diz Kenvue. 25 ago. 2024. Disponível em: poder360.com.br.
  22. CORREIO BRAZILIENSE. “96 milhões de brasileiros nunca foram ao dermatologista”, afirma presidente da SBD. 4 dez. 2025. Disponível em: correiobraziliense.com.br.
  23. AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. Comissão aprova classificação de repelente e de protetor solar como bens essenciais (Projeto de Lei Complementar 11/24). 9 dez. 2024. Disponível em: camara.leg.br.
  24. Imagem: Andrew Steele, “Sunscreen on back under normal and UV light”, liberada em domínio público, via Wikimedia Commons. Recortada pela redação.
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